morro do Macaco

sexta-feira, maio 16, 2008

sofá

Percorro seu corpo descomunal. Caminho pelas suas cicatrizes, mapa mundi, palma da mão. Corro sobre suas sardas, meu tapete persa, contemplo-me no abismo das suas pupilas, árvores frondosas, mangues, orquídeas, a praia deserta de Ipanema, as pedras do Arpoador, o sahara, o sertão, cavalos ensangüentados, cabelos de medusa, trovoadas de chuva – e as coisas que ela ri, sacanagens que ela geme, gargalhadas que ela berra e chora quando furiosamente mordo sua boca. Esqueço-me a sombra das suas tetas lisas e escorregadias. Com saliva redesenho as linhas das suas tatuagens, seu pescoço, o gosto vermelho dos lábios, a aspereza da língua. Me agarro aos cabelos, dedos, pés, pêlos, pernas, anéis, unhas – e escorrego lentamente pela bunda, escalo pés, pernas, coxas, bunda e boceta.

E, esquecido, vou vivendo vagarosamente os dias que me restam. Um gato gordo e extenuado dorme absorto sobre a sua barriga.

3 Comments:

At 4:00 da tarde, Anonymous Uma said...

Djalmão, vc é muito bom!

 
At 7:57 da tarde, Anonymous célia musilli said...

Lindos!! Vc, ela e o gato

 
At 2:43 da tarde, Anonymous Anónimo said...

adorei a sua escrita,com sensual intensidade e poética,acho que vc deveria escrever contos eróticos.tem muito estilo!

 

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